Bessent diz que nova alta de juros do Fed não seria necessariamente um erro
Secretário do Tesouro dos EUA afirma que mais aumentos da taxa de juros não são automaticamente um equívoco, em meio a apostas de nova alta em dezembro.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC · 3 MIN

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que novas altas da taxa de juros pelo Federal Reserve não seriam, necessariamente, um erro de política monetária. A declaração foi dada em entrevista à CNBC em 28 de outubro de 2026, horas depois de o Fed manter os juros inalterados na reunião de outubro, decisão amplamente esperada pelo mercado. Para quem investe em bolsa, juros e câmbio, a fala chama atenção porque vem de um dos principais auxiliares do presidente Donald Trump.
Segundo a CNBC, o jornalista Brian Sullivan perguntou se aumentos futuros constituiriam um erro na condução da política monetária. Bessent respondeu que essa não é uma conclusão necessária. Ele também disse que gostaria de ver o Fed com a “mente aberta” diante do choque de oferta provocado pelos preços de energia, que, segundo ele, pode ter natureza transitória. A CNBC relata que a guerra dos EUA com o Irã levou a uma forte queda na produção global de petróleo bruto.
O contexto monetário dá peso à declaração. O Fed elevou os custos de empréstimo pela primeira vez em três anos cerca de um mês antes da reunião de outubro e, desta vez, optou por manter a taxa. De acordo com a CNBC, os operadores de contratos futuros de juros ampliam a aposta de que a autoridade voltará a subir os juros em dezembro. Ou seja, o mercado já trabalha com a possibilidade de um novo aperto, e não apenas com uma pausa.
A tensão entre a Casa Branca e o banco central não é nova. Segundo a CNBC, Trump vem pedindo juros mais baixos e pressionou seu antecessor no comando do Fed, Jerome Powell, sobre o tema nos últimos meses dele à frente da instituição. Agora, o foco se volta para Kevin Warsh, atual presidente do Fed. Bessent afirmou que tanto ele quanto Trump avaliam que Warsh está indo bem e consegue equilibrar pleno emprego e estabilidade de preços, e disse que Warsh “começou muito bem”.
Para quem defende responsabilidade fiscal e previsibilidade, a questão de fundo é a credibilidade das regras. Um banco central sujeito a pressões políticas, em qualquer direção, tende a aumentar a incerteza sobre preços e juros. A fala de Bessent sinaliza confiança no novo comando do Fed sem exigir cortes imediatos, o que pode ser lido como um recado de paciência.
O que muda para o investidor
A possibilidade de nova alta, já incorporada pelo mercado de futuros segundo a CNBC, mantém a taxa básica americana como variável central para ações de crescimento, incluindo as concentradas na Nasdaq, e também para o dólar. Ao mesmo tempo, o tom mais conciliador do governo em relação ao Fed pode reduzir parte do ruído político que costuma pressionar a curva de juros. As informações publicadas não permitem projetar cotações nem indicam ativos específicos. O que vale acompanhar são a decisão do Fed em dezembro e a evolução dos preços de energia, que a própria fala de Bessent colocou no centro do debate.

