Lula terá base fiel de um em cada quatro deputados no quarto mandato, aponta Diap
Levantamento do Diap identifica 124 deputados de apoio consistente, o menor contingente desde o governo Collor, em 1990.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Eleito para o quarto mandato em eleição realizada em outubro, Lula deve contar com o apoio fiel de apenas um em cada quatro deputados, segundo levantamento do Diap citado pelo InfoMoney. São 124 parlamentares de apoio consistente ao governo, o menor contingente identificado pela entidade desde o governo Collor, em 1990.
O levantamento examinou a composição do Legislativo eleito em outubro. Na leitura desta reportagem, o dado revela uma base estável estreita: a maioria necessária para aprovar cada projeto terá de ser montada votação a votação, com apoio que não está garantido de antemão.
A mesma entidade, porém, avalia que Lula tem condições de formar uma maioria ampla na Câmara. A diferença entre os dois números é o centro da análise. Há uma parcela de deputados que não é aliada fixa, mas pode ser negociada, e o desafio, segundo o levantamento, é transformar esses parlamentares negociadores em base para votações.
Entre as votações que vão testar essa articulação estão a política econômica, o Orçamento e as reformas propostas pelo Executivo. São temas que influenciam diretamente juros, câmbio e a percepção de risco fiscal, e por isso despertam atenção de quem acompanha a bolsa e o mercado de juros.
Para a linha editorial deste jornal, que defende responsabilidade fiscal, livre mercado e menos impostos, a questão central é saber se essa base estará disposta a apoiar medidas de contenção de gastos e de simplificação tributária. Os dados apurados não indicam quais propostas teriam esse apoio, e é justamente isso que deve definir o tom do próximo período no Congresso.
O que muda para o investidor
Para quem investe, o principal sinal é de cautela quanto à previsibilidade da agenda econômica. Uma base fiel menor tende a tornar a aprovação de itens do Orçamento e de reformas mais dependente de acordos pontuais, o que pode elevar a incerteza sobre o rumo das contas públicas e, com ela, a sensibilidade de ativos ligados a juros e câmbio. Se a articulação funcionar e o Congresso aprovar uma agenda fiscal consistente, o efeito pode ser o oposto. Esta análise não recomenda compra ou venda de ativos nem projeta cotações. Ela aponta o que observar: a formação da maioria na Câmara e o andamento das votações sobre política econômica, Orçamento e reformas.


