Trump não tem interesse em escalar disputa entre Flávio e Lula, avalia diretor da Eurasia
Segundo Christopher Garman, da Eurasia, a relação com Washington pode sofrer tensões, mas tende a manter o equilíbrio. Tarifas dificilmente saem sem contrapartida do Brasil.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 2 MIN

Segundo o Estadão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem interesse em ampliar o embate entre o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula, na leitura de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia. A avaliação surge em meio à discussão sobre as tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
A Eurasia, que o jornal descreve como a maior consultoria de risco político do mundo, é o espaço onde Garman atua. Em sua leitura, Washington não deve anunciar novas retaliações contra o Brasil.
O pano de fundo inclui a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde se autodeclarou presidente do Brasil, segundo o Estadão. Garman avalia que a relação bilateral pode ser estressada, mas que o equilíbrio tende a se manter.
No campo comercial, o diretor afirma que será difícil retirar as tarifas americanas sem que o Brasil ofereça algo em troca. O governo brasileiro, por sua vez, não sinaliza disposição de atender às exigências do governo Trump para rever as tarifas. Garman acredita que os brasileiros também não estão dispostos a aceitar essas condições.
O impasse, portanto, combina duas leituras: a expectativa de que a escalada não avance e a dificuldade de destravar as tarifas sem concessões que o governo não parece disposto a fazer. O tema segue no centro da relação entre os dois países.
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, dólar e juros, a análise de Garman aponta para uma tensão contida, sem novas medidas americanas na avaliação dele, mas também sem solução para as tarifas. Barreiras comerciais que se mantêm pesam sobre exportadores e sobre setores dependentes do mercado americano, o que mantém o risco de política comercial no radar. Na prática, o investidor tende a acompanhar sinais de negociação e eventuais mudanças de postura de Brasília e Washington. Essa leitura, por si só, não indica direção para preços de ativos.


