Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA pesa mais sobre a imagem do senador, diz ex-ministro
Para Maílson da Nóbrega, a declaração do senador derrotado tende a preocupar menos o empresariado do que a credibilidade do próprio parlamentar.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 2 MIN

Derrotado na disputa pela Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o país rumo aos Estados Unidos. Segundo o Estadão, ele afirmou ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas, em uma versão posterior da mesma carta, a expressão foi trocada por “líder do Brasil”.
O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, citado pelo jornal, avalia que o episódio tem efeito limitado sobre o setor produtivo. Para ele, empresários que acompanham política e análises macroeconômicas dificilmente lerão a atitude como um sinal de risco. A tendência, na visão do economista, é enxergá-la como uma dificuldade em aceitar a derrota.
Para sustentar a tese, o ex-ministro recorre aos números do segundo turno. Segundo ele, o presidente reeleito obteve 10 milhões de votos a mais nessa etapa, e apenas 34 mil votos foram registrados depois da prorrogação do horário de votação. Na sua leitura, nenhum eleitor bem informado levaria a sério a ideia de que o senador seria o presidente eleito.
A reportagem do Estadão também trata da situação jurídica atual do senador, que, de acordo com o título de um dos blocos do texto, não se enquadra nem como fugitivo nem como exilado. Os dados disponíveis não detalham o enquadramento legal, e por isso esta matéria não o aprofunda.
O centro da discussão é a diferença entre ruído político e fator econômico. O próprio ex-ministro sugere que a retórica pesa mais sobre a reputação de quem a emite do que sobre as decisões de empresas e investidores.
Ainda assim, a disputa sobre a legitimidade do resultado eleitoral costuma entrar no radar do mercado, porque afeta a previsibilidade institucional do país.
O que muda para o investidor
Pelo que o Estadão publica, o episódio não traz, por si só, uma mudança concreta na política econômica. A leitura do ex-ministro aponta para um impacto sobre a credibilidade pessoal de Flávio Bolsonaro, e não sobre o ambiente de negócios. Para quem acompanha bolsa, juros e dólar, vale observar sinais que vão além da retórica, como a condução da agenda fiscal e a trajetória dos juros. Esta matéria não faz recomendação de compra ou venda de ativos e não projeta cotações.


